Pouso Forçado

O que está acontecendo com as rádios brasileiras? Em menos de vinte anos mudaram suas programações de forma tão brusca. De símbolo da música pop ao celeiro do regionalismo folclore nacional. Algo me leva a crer que tem uma explicação institucional por trás de tamanha mudança. Senão, poderia, em tão pouco tempo, a audiência mudar de preferência de forma tão rápida?

Lembro que quando criança, aquela sobrinha de aproximadamente uns 15 segundos entre a troca de uma fita cassete e outra, no som do carro do meu pai, lá estava a tal da música internacional, sempre elas. As telenovelas da Globo são outro exemplo de canal forte de divulgação da música de centro, primeiro era lançado a trilha nacional e finalmente a trilha internacional, com status de “gran finale”.

Então, eu acabo de ler uma manchete que me levou a essa reflexão, senão veja você:

“FMs mais ouvidas do país são de música para “povão”; no site da UOL do dia 16 de maio de 2012. Trago aqui um trecho da reportagem:
O programa Ooops! mostra o ranking de audiência das rádios FM no último trimestre (fevereiro/março/abril). Os números apontam que as cinco rádios FM mais ouvidas de São Paulo (e do Brasil) são de música para o povão: neosertanejo, pagode e “brega chic”.
http://noticias.uol.com.br/ooops/ultimas-noticias/2012/05/15/fms-mais-ouvidas-do-pais-sao-de-musica-para-povao-veja-ranking.htm

Sabemos que as rádios funcionam sob sistema de concessão de serviço público e que um simples fax pode mudar toda a sua orientação da programação. Basta fazê-lo.

Este fenômeno fica ainda mais evidente quando relacionamos isto ao mercado de shows. A média de preço dos ingressos para os concertos internacionais são mais caros, e não apenas mais caros, são potencialmente mais caros – algo em torno de dez vezes mais caros, e, no entanto, não falta público – tudo isso por se tratar de uma relação jurídica de direito privado, onde prevalece a preferência do consumidor. Será que já se pensou em institucionalizá-los? Já pensou: shows de Heavy Metal, a preferência no mundo do rock – um direito constitucional do cidadão brasileiro.

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A Grata Surpresa ao Escutar Kurt Vile

 Smoke Ring For My Halo do Kurt Vile

Naquela coisa de clicar em videos postados por amigos, nem lembro por quem, conheci Kurt Vile. Pesquisando na net, soube que ele é da Filadelfia – pouco importa. Soube que a sua música é feita a base de Fleetwood Mac e Bob Dylan. Pronto, já era, merece eu escutar mais sobre ele.
Então, o cara tem quatro discos:

  • Constant Hitmaker de 2008 pela Gulcher Records
  • God Is Saying This to You de 2009 pela Mexican Summer
  • Childish Prodigy de 2009 já pela Matador Records
  • Smoke Ring for My Halo de 2011 tambémpela Matador Records

O seu último disco “Smoke Ring for my Halo” é um disco simples e ao mesmo tempo bem produzido. Simples porque é baixo, bateria e voz. Sofisticado por que a voz se mostra através de efeitos muito bem colocados, as guitarras, mesclam limpidez e sujeira. Os violões são cuidadosamente altos e baixos em seus devidos momentos. Ou seja, o álbum mostra uma banda coesa e simples mostrando canções com fortes traços no passado através de um álbum muito bem produzido. Vale a pena tê-lo em casa.

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Jack White lança disco solo com ecos de morte e nostalgia pela garagem

O Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,jack-white-lanca-disco-solo-com-ecos-de-morte-e-nostalgia-pela-garagem-,865105,0.htm

Mais de uma década após chegar ao cume do rock contemporâneo com sua colega Meg White, Jack ainda não perdeu a legitimidade. Tornou-se uma espécie de messias dos puristas, o cara em que sempre contam, na mesa do bar, para um exemplo de que o rock “não morreu”. Colabora com ídolos de outrora, como a cantora Wanda Jackson, cujo disco produziu no ano passado, faz homenagens a outros, como Ennio Morricone, no disco Rome, e Hank Williams, no disco You Know That I Know, do ano passado.

Ao mesmo tempo, ainda sustenta expectativa nos círculos de rock independente toda vez que lança ou colabora em um novo projeto. Causa alvoroço, por exemplo, toda vez que dá as caras no festival indie South By Southwest, pois sua presença ainda é inspiração para milhares de bandas de garagem que almejam o sucesso do duo de Detroit.

Mas Jack White não vive de status e sim de suas sagazes e muitas vezes sinceras recombinações de fórmulas batidas. É um mestre delas. Toca blues, sola com categoria, conhece profundamente a linguagem de produção, os instrumentos e equipamentos da época: um exemplo clássico do artista que não rompeu com seus mestres, mas remixou o que aprendeu e matem uma religiosa lealdade à lei de outrora. O resultado, uma espécie de vampiro caubói vista na capa do disco, personagem escapulido de um gibi de steampunk na era do Twitter, acaba de lançar um novo disco.

Blunderbuss, que está disponível para compras no Brasil através do iTunes, é o seu primeiro disco solo, tocado e produzido pelo próprio, forjado nos escombros do seu casamento com Karen Elson, e durante o luto de seu irmão mais velho. “Eu estava escrevendo as notas do disco outro dia, e me parecia que tudo o que pensava tinha a ver com a morte. Por alguma razão, a morte esteve presente durante todas as etapas de composição”, contou Jack ao New York Times, no início do mês. Mas Blunderbuss não soa fúnebre, e sim nostálgico em muitas partes pela sonoridade do início da carreira do músico. Parece que o herói do blues/ às do rock setentista que o guitarrista emula em suas outras bandas, os Raconteurs e o Dead Weather, não o satisfaz tanto quanto tocar os acordes escrachados e assistir Meg White acompanhá-los. Freedom at 21, por exemplo, soa perversamente semelhante a Seven Nation Army, o maior hit da banda: o riff da segunda é apenas deslocado, como se fosse um bilhetinho a Meg. Sixteen Saltines deixa de lado o refinamento em troca da roupagem decupada que nos acostumamos a ouvir nos discos dos White Stripes. “Meg controlava a banda. Ela é a pessoa mais obstinada que já conheci e você nem quer saber por quê. Aquela banda foi a coisa mais difícil, mais importante e mais satisfatória que já fiz”, contou ao Times.

Blunderbuss não é, no entanto, apenas nostalgia pelos idos de White Blood Cells e Elephant. É também uma inteligente colagem de referências vintage, exemplo do excêntrico bom gosto de Jack White. É bom lembrar que esta curadoria retrô se estende além do estúdio, pois Jack mora, grava e gerencia seu selo Third Man em um prédio em Nashville, decorado com animais empalhados, uma torre Tesla e pinturas trompe-l’œil – além de passagens secretas. Em Blunderbuss, seus caprichos folclóricos tomam forma de violinos, pianos semidesafinados, como os de um “saloon”, e outros ecos da época áurea da country music. Em On and On and On, um órgão psicodélico é complementado por guitarra singela, que lembra Jimmy Page em Tangerine. Trash Tongue Talker é um blues shuffle a la Stones, cantado com ecos de Mick Jagger. Mas o uso virtuoso de referências não faz de Blunderbuss um álbum completo, e Jack é longe de ser o único roqueiro e produtor hábil o suficiente para recriar atmosferas de outros tempos – vide o último disco de Dr. John, produzido por Dan Auerbach, dos Black Keys. O que dá força ao álbum é, então, a elogiável sinceridade do músico, que não tem medo de lançar mão de um clichê para se expressar. No caso de Jack White, funciona quase sempre.

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Bob, lance um disco do show de anteontem :)

Segue a Crítica sobre o show do BOB DYLAN em São Paulo (21/04/2012) feita pela ILUSTRADA da FOLHA DE SÃO PAULO – http://www1.folha.uol.com.br

Bob, lance um disco do show de anteontem :)

CRÍTICA - BOB DYLAN

Bob, lance um disco do show de anteontem :)

Apresentação do artista em São Paulo reflete momento especial e nada nostálgico de sua carreira de 50 anos

Rafael Grampá

Bob Dylan no show de anteontem (21/04/2012), em São Paulo
IVAN FINOTTI
DE SÃO PAULO
Prezado Mr. Dylan,

Mas que coisa sensacional está seu show atual! Sua voz está cada vez pior e, por isso, melhor. Suas cordas vocais parecem tão estragadas que deixam para trás qualquer distorção das guitarras de Neil Young ou do Motörhead.

Sua cantoria atual combina demais com essa banda cabulosa que você arrumou. E também com os novos arranjos, totalmente desconstruídos da versão original (o que você faz há décadas).

Arrisco dizer que a abertura de “Leopard-Skin Pill-Box Hat” (1966) não foi tão impressionante. Mas o que aconteceu com “Don’t Think Twice, It’s All Right” (1963)? As guitarras ardidas parecem imitar a sua voz cavernosa, e você cantou feliz, brincando com as palavras, acentuando mais aqui, gritando ali :O

Aliás, não sei se sabe, mas uma versão dessa sua canção está na novela (“soap opera”) das 21h aqui, talvez o programa mais popular do Brasil.

E você chegou a dançar em “Things Have Changed” (2000), castigando a gaita, com seus 70 anos, seu chapelão e sua calça com lista lateral. Foi engraçado :D

Uma coisa impressionante nesse show é que as canções novas não devem nada às antigas. “Beyond Here Lies Nothin’” (2009), por exemplo, de seu último disco sério (sem contar o natalino), já é um clássico. “Make You Feel My Love” (1997) é belíssima, linda e bem tocada balada, com as guitarras solando, subindo e descendo.

Agora, foi a delicada “Eve-ry Grain of Sand” (1981), de sua fase católica, que deu uma ideia: essa versão que você tocou em SP merece sair num disco ao vivo! E também essas outras citadas acima.

Então, por que não embalar o show paulistano de anteontem num CD? “The Levee’s Gonna Break” (2006), com aquelas palmas todas acompanhando e você no órgão, vai soar emocionante em disco, pode crer :)

Alô, Bob, desde 1984, desde “Real Live”, você não lança um ao vivo digno desse nome. Lançou, sim, apresentações históricas e fez o “MTV Unplugged” (1995), mas nenhum deles reflete o seu atual momento como artista e o de sua turnê sem fim.

E o fato de você ter praticamente xerocado os shows que fez por aqui em 2008 (repetiu 12 das 17 músicas) mostra que essas canções conquistaram um lugar especial, não?

Se não couber num disco só, tenho até algumas humildes sugestões de corte: “Thunder on the Mountain” (2006), que você parece gostar tanto (tem tocado direto nos últimos anos), pareceu uma canção meio ordinária. E muito longa :P

E, na minha opinião, “Tangled Up in Blue” (1975), apesar de ser uma querida absoluta do fãs, não esteve à altura do original.

Mas, enfim, meu caro, que show excelente!;)

P.S.: O que foi aquele curioso beijinho no final? Você estava contente ou faz isso com todas as plateias? <3

BOB DYLAN
AVALIAÇÃO ótimo

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Bob Dylan em Brasília



Eduardo Bueno, jornalista, escritor, tradutor, faz-tudo, também está em turnê por
algumas capitais do País. Está acompanhando os shows do Bob Dylan.

Ele estava a beira do palco, acompanhando como uma criança acompanha a
Galinha Pintadinha: muito feliz! A cada música, um sorriso se abria. A um certo
momento do show, com as mãos nas orelhas, ele vira pra mim e diz: “É o pior show
do Dylan que eu já fui
”. Ele se referia a já famosa acústica do Nilson Nelson. E ele
estava com razão. Assistir a um show no Ginásio Nilson Nelson é jogar na sorte. Qual
parte da plateia vai ser prejudicada? Se a da frente ou a da arquibancada? No show
do Bob Dylan quem estava na frente parecia que acompanhar o show apenas com o
som do retorno do palco. Quase isso, de tão ruim que estava.

Mas seria show do Bob Dylan! Aquele que a influência do que convencionamos chamar de pop é incalculável. O artista que tem uma das obras mais ricas e complexas. O cantor que tem as melhores narrativas confessionais. O cantor que abraçou diversos genêros do rock and roll, e o fez com perfeição.

Afinal, Bob Dylan estava em Brasilia. Isso era o que mais importava.

Uns 10 minutos a mais do marcado, acho, Dylan sobe ao palco. Nenhuma saudação ao público. Depois do show do RJ, isso era o esperado. Ele dirige-se aos teclados e inicia os primeiros acordes de Leopard-Skin Pill-Box Hat, música do clássico Blonde on Blonde, de 1966. Pronto. Era verdade. Estávamos mesmo diante de Bob Dylan.

Seguiu outro clássico. Don’t Think Twice, It’s All Right, música de 1962, que até hoje emociona.

Então, o público nota que não adianta cantar junto. Dylan sempre desconstrói suas músicas. Quem esperava escutar as mesmas músicas como gravadas foi ao show errado. Suas apresentações são assim, desde sempre.

Ele falou uma vez que cantar sempre as mesmas coisas da mesma forma o entedia.

Agora, quem o conhece fica parado, encantado. Nem o refrão é possível mais acompanhar, pois Dylan canta à sua maneira.

Things Have Changed é mais nova (hum…), poucas pessoas o conhecem, mas todos acompanham com atenção e sorriso no rosto. A banda é muito competente. Seus músicos olham pro Dylan com olhos de veneração.

Segue o show com Tangled Up In Blue, do fenomenal Blood on Tracks de 1975. Dylan agora está na frente da banda. Agora sim: a famosa gaita aparece. O público agradece.

A sequência Simple Twist Of Fate, Summer Days, Spirit On The Water, Honest With Me, A Hard Rain’s A-Gonna Fall, Highway 61 Revisited fez uma boa revisão de sua obra.

Segue com Blind Willie McTell, que é outra pouco conhecida, lançada apenas num bootleg The Bootleg Series Volumes 1-3 (Rare & Unreleased) 1961-1991. Daí vem a introdução inconfundível de Thunder On The Mountain, que traz o público de volta às músicas conhecidas.

Pronto! Chegamos à melhor música do show, Ballad Of A Thin Man. Dylan à frente do palco. Pouca luz e muitas sombras. Ainda desencontrado do cantor, o público agora canta e bate palmas. Ao final da música, sorrisos aos rostos. Vem a introdução de Like a Rolling Stone. Alegria, felicidade e êxtase! Dylan displicentemente parece esquecer o solo de sua gaita. Fica próximo ao teclado e a toca. A música continua linda. Não há mais grito de Judas e sim de Jesus.

All Along The Watchtower encerra o show. Quem se importa com o som do Nilson Nelson? Foi maravilhoso. Dylan não vestiu camisa do Brasil. Não pediu palminhas. Não houve espetáculo. Houve simples e puramente a música. A Música de Bob Dylan. Isso era o que importava.

Ele vai à frente do palco, agradece sem palavra alguma e sai. O público insiste em um bis. Dylan não faz bis. Raro.

Mas ele volta. Que felicidade. Rainy Day Women #12 & 35, faixa inicial do Blonde on Blonde encerra de vez.

E eu estava lá.

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A Poucas Horas do Show de Bob Dylan

Esta noite será muito especial para mim. Irei assistir a um show que até pouco tempo atrás me parecia algo impossível, e cá estou eu ansiosamente esperando passar as poucas horas que me separam de um sonho.

Quando criança, foram muitas as viagens intermináveis, toda aquela família chacoalhando dentro de uma brasília 78, se arrastando pelas esburacadas estradas do norte ao som daquele a quem meu pai chamava e ainda chama de “Bobi Dailan”.

Eu não podia traduzir aquelas palavras atravessadas no meio da música, tão pouco saber o que significavam. E o que dizer daquele timbre ranhento? Eu era apenas uma criança experimentando do mel, conhecendo um pouco mais do mundo – uma experiência originária, eu diria. E foram várias.

Lá se foram alguns anos e nem de longe posso ser confundido com um especialista da obra desse artista, mas aprendi algo sobre ela. Sei que sua música foi a ponte entre a raiz da música norte americana e a música pop. Sei que ele não gosta de dar autógrafos. Sei que ele acrescentou a guitarra ao Folk, Até aprendi a tocar algumas de suas músicas.

Agradeço ao acaso por me trazer a esse exato lugar, nesse exato momento, na exata circunstância que me encontro, a poucas horas do show do Bob Dylan.

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Protecionismo Retrô

Foi anunciada recentemente uma série de medidas que dificulta a importação de produtos industrializados para o Brasil. A interpretação clássica da decisão de elevar as tarifas alfandegárias é sempre evitar a invasão dos produtos importados, e, por conseguinte, evitar assim o desemprego na indústria, tudo em plena conformidade com os manuais da ortodoxia – remédio velho para problema mais velho ainda: a imaturidade de uma indústria que parece nunca querer crescer ou caminhar com as próprias pernas.
O tempo tem reafirmado a máxima de que o Brasil é um país agrário. Recentemente o IBGE divulgou a redução da participação do setor industrial no PIB, chegando aos 15%. Os mesmos 15% antes de Juscelino Kubitschek anunciar o Plano de Metas, cuja marca central era a industrialização do país, no entanto, se passaram 50 anos e pelo jeito nada mudou.
Há vinte anos, os ortodoxos defendiam as altas tarifas alfandegárias, alegando condições desleais de concorrências frente a forte indústria norte-americana; e contrariando a ortodoxia, Fernando Collor opta pela inserção comercial e decide pagar pra ver. O resultado foi a inquestionável evolução da indústria automobilística nacional.
Dessa vez, estamos barrando os carros mexicanos e o vinho chileno. e agora? o que vai ser dessa vez? Vamos alegar condições desleais de concorrência? Carros mexicanos e vinhos chilenos?
Em nove meses, a mãe carrega seu filho na barriga e o educa nos próximos 18 anos para que este siga seu legado sozinho. A mãe escorpião mata aqueles filhotes que se negam descer de suas costas. A nossa indústria chora. E, seguramente, amanhã, continuará chorando, nunca se desenvolvendo, porque se nega a sair do colo.
Não nos causara espanto daqui a alguns anos se falar em condições desleais contra a indústria africana.

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Tempos Modernos em Brasília

Dylan em Brasília

A notícia é sensacional e, ao mesmo tempo, inesperada.

Vale lembrar que pra mim foi um susto.

Estava eu,voltando do almoço para o trabalho quando, ao ver as últimas notícias no twitter que possam ter acontecidos durante este breve espaço de tempo, me deparei com o post da revista Rolling Stone: “Bob Dylan no Brasil”. Cliquei para consultar as cidades em que ele estaria e saber qual seria o meu esforço para ver tal show. Brasília nunca seria uma das cidades. Mas tava lá: BRASÍLIA. Como assim, Brasília? E eu assistirei a um show do Dylan?

Pois é, que notícia! Finalmente a Never Ending Tour, iniciada em 1988, chega a Brasília.

Mas o por que desta tamanha importância?

Durante a década de 60, quando o mundo pop tava tomando forma – o rock and roll mudando de forma em sua primeira vez – eis que surge um menino em NY, acompanhado de gaita, violão e de uma bagagem folk enorme, música dos ditos alternativos da época. Os seus primeiros discos acomparanharam a luta pelos direitos civis nos EUA, como suas letras de protestos. Até ele decepcionar uma legião de fãs da folk music. Passou, então, a aumentar o volume do som que resolveu fazer e eletrificá-lo. Agora ele não queria mais falar de política ou racismo e sim da menina desejada e de seus sentimentos mais pessoais.

E essa é a tônica da vida artistica de Dylan. Pautada por mudanças. E todas as mudanças foram significativas para o mundo do rock and roll aos dias de hoje.

Dylan foi, e ainda é, um artista que segue influenciando. “Quer gravar um primeiro disco que chame atenção? Faça um cover do Dylan”, “Quer fazer a trilha sonora de um filme seja digna do filme? Coloque uma música do Dylan”.

E poder vê-lo ao vivo é uma honra, mesmo sabendo que o show dele não é o mesmo do Blonde on Blonde nem a Rolling Thunder Revue.

A figura vai tá lá.

E quem gosta de boa música também tem que está lá.

Eu estarei lá.

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Al Stewart

O Cantor e compositor britânico, Al Stewart, é conhecido pelo sucesso de 1976 “Year Of The Cat”. Provavelmente, algum de nós já tenha escutado uma de suas canções sem qualquer reação de apreciação. Isso acontece porque suas canções são tão suaves que são capazes de passar despercebidas por ouvidos comuns, não que suas músicas sejam de má qualidade, muito pelo contrário, sua obra é de uma riqueza musical incrível, mas seguramente é preciso uma sensibilidade extra para lhe servir. Sua voz vai lhe fazer lembrar David Bowie na fase Ziggy Stardust, mas não se preocupe que não se trata de uma cópia barata. É uma combinação de folk, rock e pop com um sonido típico dos anos 70. Um artista introspectivo, porém relevante. É uma boa deixa para aqueles que apreciam os anos 70.

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Kurt, 45 anos

20 de novembro de 2012 seria o aniversário de 45 anos do cantor, compositor e líder da principal banda dos anos 90.

Em sua homenagem, posto um pocket-show gravado em 24 de Outubro de 1991 em algum lugar de San Diego, California.

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Sobre Roy Orbison e as coisas facilmente agradáveis.

Com Roy Orbison, você nunca sabia se estava escutando mariachi ou ópera. Ele o mantinha sempre alerta. Com ele, era sempre do bom e do melhor. Soava como se estivesse cantando no topo do Olimpo e a coisa era séria. Uma de suas primeiras canções, “Ooby Ddooby”, tinha feito sucesso algum tempo antes, mas a nova canção não era nada parecida com aquela. “Ooby Dooby” era enganosamente simples, mas Roy havia progredido. Agora cantava suas composições em três ou quatro oitavas que faziam você querer se jogar de carro em um penhasco. Cantava como um assassino profissional. Em geral, começava em uma escala baixa, quase inaudível, ficava ali um pouco e então deslizava para o melodramático de modo espantoso. A voz dele podia levantar um defunto, sempre deixava você murmurando algo do tipo: “Cara, não acredito nisso”. As músicas dele tinham canções dentro de canções. Mudavam do tom maior para o menor sem qualquer lógica.

Orbison era mortalmente sério – não tinha nada de principiante ou de um novato juvenil. Não havia nada como ele no rádio. Eu escutava e esperava a próxima canção, mas perto de Orbison a seleção musical era estritamente enfadonha… insossa e frouxa. Era tudo despejado como se você não tivesse cérebro. Tirado talvez George Jones, eu tampouco gostava de música country. Jim Reeves e Eddy Arnald, era difícil saber o que o country tinha a ver com aquela coisa. Toda a rusticidade e estranheza tinham sumido da música country. Elvis Presley. Ninguém o escutava tampouco. Fazia anos que ele tinha apresentado o lance do quadril e levado as canções para outros planetas. Eu ainda continuava a ligar o rádio, provavelmente mais pelo hábito impensado e automático do que por qualquer outra coisa. Tristemente, o que quer que tocasse não refletia nada além de água-com-açúcar, e não as questões Médico e Monstro do momento. As ideologias de rua de “On The Road”, “Howl” e “Gasoline” que sinalizavam um novo tipo de existência humana não estavam ali, mas como se poderia esperar que estivessem? Discos de 45 rotações eram incapazes disso.

Eu estava ansioso para fazer um disco, mas não queria fazer compactos de 45 – canções do tipo que tocavam no rádio. Cantores de folk, artistas do jazz e músicos clássicos faziam LPs, discos longos com montes de canções nos sulcos – forjavam identidades e faziam diferença, apresentavam um cenário maior. LPs era como a força da gravidade. Tinham capa dura, frente e verso, que se podia olhar durante horas. Perto deles, os de 45 eram inconsistentes, não tinham firmeza. Apenas se amontoavam em pilhas e não pareciam importantes. De qualquer modo, eu não tinha nenhuma canção para o rádio comercial no seu repertório.

Canções sobre depravados contrabandistas de álcool, mães que afogam os próprios filhos, Cadillacs que faziam apenas cinco quilômetros por litro, enchentes, protestos sindicalistas, trevas e cadáveres no fundo de rios não eram para os amantes do rádio. Não havia nada de condescendente nas canções de folk que eu cantava. Eles não eram amistosas nem plenas de brandura. Não desciam redondo. Acho que se poderia dizer que não eram comerciais. Não era só isso, meu estilo era errático e pesado demais para caber no rádio, e, para mim, as canções eram mais importantes do que um simples entretenimento ligeiro. Eram minhas preceptoras e guias para um estado alterado de consciência da realidade, uma república livre. Geil Marcus, o historiador de música, iria chamá-lo de “república invisivel” uns trinta anos mais tarde. Em todo caso, não é que eu fosse contra a cultura popular ou coisa assim e que não tivesse ambições de colocar as coisas na roda. Apenas achava que a cultura dominante era de uma fajutice infernal e um grande truque. (Crônicas Vol. 1 – Bob Dylan)

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Solo inédito de George Harrison é descoberto

O trecho da canção lançada pelos Beatles no álbum Abbey Road, em 1969, acabou sendo encontrado nos estúdios de Londres pelo filho do britânico, Dahni Harrison, e o ex-produtor do grupo George Martin.

Dahni Harrison, George Martin e seu filho, Giles Martin, descobriram o solo enquanto escutavam as gravações originais de Here Comes the Sun em frente a uma mesa de mixagem.

Dahni afirmou ter ficado bastante surpreso com o novo trecho do hit e alegou não fazer ideia da existência do solo.

A faixa do disco Abbey Road é um dos maiores sucessos do quarteto de Liverpool. Here comes The Sun já foi gravada por artistas como Peter Tosh, Nina Simone e Ghost.

O documentário de Scorsese sobre George Harrison, que conta com as participações de Paul McCartney, Yoko Ono e Eric Clapton, foi exibido nos Estados Unidos pelo canal HBO e no Brasil durante o Festival do Rio do ano passado.

 

estadão.com.br de 30 de janeiro de 2012.

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,solo-inedito-de-george-harrison-e-descoberto,829122,0.htm

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Minha Aposta

Das bandas e artistas indicados para premiação do Grammys de 2012, foram protagonistas de posts aqui em nosso Blog duas: The Decemberists e My Morning Jacket. A primeira concorre a categoria de Melhor Performance de Rock Individual e a segunda concorre a categoria Melhor Álbum de Música Alternativa. Apesar das duas bandas debutarem na premiação e concorrerem com nomes consagrados, aposto em ambas conquistas.
My Morning Jacket é uma banda americana de rock, formada em 1998, destacável pela mistura eclética de country rock, indie rock, funk e psycodelic rock, ainda pouco conhecida no Brasil, porém muito apreciada pela crítica. O ano de 2011 foi consagrador para os The Decemberists, a banda se dividiu entre estúdios e palcos, atendendo a uma agenda repleta e lançando mais um título, Long Live The King, sétimo álbum da banda.
Também ganhou destaque aqui o álbum do Radiohead, The King of Limbs, que concorre também as duas categorias acima. Mas apesar do status de uma “grande banda”, percebo um certo esgotamento no seu processo criativo e aposto numa uma participação tímida.
Que vençam os melhores!

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Que achado!!!!

Estava eu buscando informações sobre um CD que a revista MOJO vai lançar com covers do Power, Corruption & Lies, segundo álbum do New Order, quando cheguei nesse show do R.E.M.

Nem eu sei mais como.

De qualquer forma, ta aí. Na integra. Imperdível!

Show do R.E.M realizado em 10 de Outubro de 1982, no The Pier in Raleigh, N.C., para a TV Local — menos de dois meses após o lançamento do EP de estréia da banda, Chronic Town.

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Uma Ótima Notícia

Hoje li um post no twitter da NME afirmando que o clássico Álbum Abbey dos Beatles Road foi o LP de vinil mais vendido em os EUA. Sensacional uma coisa destas acontecer hein? Um álbum de 1969 fazendo frente aos muitos álbuns de hoje. Detalhe que o álbum foi o mais vendido, pela TERCEIRA vez.

É lógico que a obra dos Beatles é insuperável, mas ver isto ser percebido, em nossos dias, por um público maior é maravilhoso.

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